sábado, 31 de julho de 2010

O que ela tem que eu não tenho

por: Leonardo Luzes

A música já dizia: “o que ela tem que eu não tenho... Preciso saber, você vai ter que dizer o que...” Com certeza é o que nós homens gostaríamos de saber. Mesmo com todo o avanço da medicina, ainda é um mistério que mexe com a vida de todos os maridos, namorados, irmãos, amigos...

Todo mês ela chega sem pedir licença e se instala, alterando a rotina de grande parte das mulheres. A tensão pré-menstrual ou também chamada de desordem disfórica pré-menstrual, é uma síndrome que ocorre nos dias que antecedem a menstruação. A TPM se caracteriza, principalmente por uma irritabilidade e ansiedade mais acentuadas, aumento de apetite, insônia ou hipersônia, humor deprimido, dificuldade de concentração, cefaléia, dor nas mamas ou até mesmo a falta de interesse pelo que se costuma gostar. Durante o intervalo de 12 meses, a mulher deverá ter apresentado na maioria dos ciclos pelo menos cinco dos sintomas citados. Segundo pesquisas realizadas, essa síndrome atinge aproximadamente 75% das mulheres brasileiras, sendo que 8% delas apresentam os sintomas de forma muito mais intensa.

É uma época difícil até mesmo para uma convivência amigável, tanto no trabalho quanto em casa. As mulheres relutam, mas acabam concordando que ficam muito mais sensíveis e rabugentas nesse período. Quando perguntadas, todas elas são unânimes quanto ao fato de preferirem não tê-la, mas essa é uma sorte que poucas desfrutam. A maior dificuldade encontrada é explicar exatamente o que é essa síndrome, afinal, não restam muitas dúvidas que existe uma alteração relacionada às fases do ciclo ovariano. Tecnicamente podemos afirmar que a TPM é um transtorno que incide desde a adolescência das mulheres, não ataca nenhum órgão específico e que também não é detectável por exames laboratoriais ou “check-ups”. Ela ainda tem causa desconhecida, apesar das inúmeras teorias para explicá-la. É tida como modelo de doenças psicossomáticas, surgida a partir de pequenas alterações bioquímicas dos hormônios estrogênio e progesterona, stress, hábitos alimentares e até mesmo ligados ao estilo de vida de uma mulher.
Em busca de se livrar desse “incomodo”, as nossas mulheres tem buscado tratamentos alopáticos ou homeopáticos e que em muitos casos não é eficaz, e em alguns casos traz até problemas de saúde por conta da medicação usada. Atenção mulheres: ainda não há uma cura e nem um tratamento totalmente eficaz. Geralmente cabe ao médico orientar a paciente para o tratamento a ser feito. Pode acontecer de ser junto com um psicólogo, assistente social ou até mesmo com um terapeuta ocupacional. Pode-se também mudar alguns dos hábitos alimentares: diminuindo a ingestão de açúcares, sal e bebidas cafeínadas e aumentando a de proteínas. Também é muito recomendado exercício físico regularmente. Se falarmos em remédios, as mulheres também possuem muitas opções, como a reposição da vitamina B6 e do magnésio, medicações hormonais e até mesmo drogas antidepressivas.

Uma boa aliada que vem tomando a cabeças de nossas meninas é o novo tratamento feito com base no implante de hormônios. Esse tratamento funciona muito bem como método contraceptivo, mas tem sido bastante indicado para tratar o mal da TPM. Esses implantes são constituídos de uma substância com atividade progestangênica (bem semelhante a do progesterona). São usados na forma de um implante subcutâneo, inserido no braço. Ele promove a liberação dessa substância hormonal de forma contínua, por um período de até 3 anos, podendo ser retirado a qualquer momento. A maior vantagem dessa utilização é que praticamente, depois de inserido, a mulher não vai mais precisar ficar tomando medicações. Para todo bom lado, entretanto, existe o ruim: o custo desse tratamento ainda é excessivo para a maioria da população brasileira.

A auto-percepção, o auto-conhecimento e a ajuda mútua são os pontos básicos para se resolver os conflitos gerados pela TPM, trazendo uma melhora significativa na qualidade da vida familiar, profissional e social. Não esqueçam mulheres: cada caso é um caso e toda mulher é única. Portanto, o médico deve sempre ser consultado sobre a adequação do tratamento à paciente.